Por William Bonalume *
COO, Open Gaming 

O mercado de apostas esportivas no Brasil cresce em ritmo acelerado. Mas, junto com as oportunidades, surgem riscos que ameaçam a essência do esporte,  um deles tem nome: manipulação de resultados.

Foi com esse pano de fundo que a Sport Integrity Global Alliance (SIGA) promoveu, em parceria com o Sports Summit Brasil 2025, um dos debates mais importantes do ano sobre o futuro da integridade esportiva. O painel “FAIR Insights: Reputação, Negócios e Integridade como Pilar Estratégico” reuniu autoridades e líderes do setor para discutir como transformar ética e transparência em pilares reais de sustentabilidade no esporte.

O Sports Summit Brasil consolidou-se como o maior encontro da indústria esportiva na América Latina, reunindo confederações, clubes, ligas, entidades reguladoras, empresas de tecnologia e apostas. Mais do que um evento, é um espaço estratégico de diálogo entre os diferentes atores que moldam o presente e o futuro do esporte. Em 2025, a presença da SIGA (entidade internacional que lidera o movimento global por transparência, ética e boa governança) trouxe à discussão uma pauta essencial: a integridade como ativo estratégico e motor de credibilidade.

A SIGA é uma organização sem fins lucrativos que atua globalmente na criação de padrões de integridade, prevenção de fraudes e combate à corrupção e à manipulação de resultados. Dentro dessa estrutura, nasceu o FAIR (Fórum de Apostas, Integridade e Regulação), iniciativa da SIGA Latin America voltada a promover o diálogo entre poder público, operadores e empresas do ecossistema de apostas. Como membro do FAIR, acompanho de perto a construção de uma agenda que transforma integridade em vantagem competitiva, não apenas como uma exigência regulatória, mas como um diferencial de negócios sustentáveis e confiáveis.

A composição dos debates no Sports Summit refletiu a amplitude e a seriedade do tema. Estiveram presentes lideranças nacionais e internacionais que representam a interseção entre esporte, governo e mercado: o CEO global da SIGA, autoridades do Ministério do Esporte e do Ministério da Fazenda, o presidente do COAF, além de representantes da FIFA, CONMEBOL, NFL, Kings League, CONAR e executivos de grandes clubes brasileiros. Essa convergência inédita entre diferentes esferas de poder e influência marca um momento histórico. Pela primeira vez, a integridade passa a ocupar o centro da agenda estratégica do esporte e das apostas, sendo tratada como vetor de desenvolvimento econômico e social, e não apenas como um mecanismo de controle.

Com o avanço do mercado de apostas e a digitalização das plataformas, o risco de manipulação de resultados cresceu de forma significativa. O impacto é profundo: abala a credibilidade das competições, compromete marcas e destrói a confiança do torcedor. Integridade, portanto, deixou de ser um tema moral e passou a ser um tema econômico, o que, em última instância, garante a sobrevivência de um mercado bilionário.

Diante desse cenário, o Brasil já começou a reagir. O Ministério do Esporte, em parceria com o Ministério da Fazenda e o COAF, trabalha na criação de uma Política Nacional de Integridade no Esporte, voltada à prevenção de manipulações, fiscalização das apostas e promoção de um ambiente responsável e transparente. Mais do que uma estrutura de controle, essa iniciativa representa um passo decisivo para proteger o esporte como patrimônio econômico, social e cultural.

A integridade é o que separa o jogo do risco, o negócio da desconfiança e o entretenimento da manipulação. Mas ela não se constrói de forma isolada. O futuro do iGaming, e do próprio esporte, depende da colaboração entre o poder público, entidades esportivas, reguladores e empresas. Somente essa convergência tornará possível unir reputação, crescimento e ética em um mesmo campo: o da sustentabilidade do esporte e das apostas responsáveis.

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  • Especialista em Compliance, KYC e prevenção à fraude com 15+ anos de experiência em operações nos setores de fintech e neobanks. Foi Diretor Estatutário do Facebook Pagamentos do Brasil (Meta), responsável pela relação com o BACEN. Atualmente, como COO na Open Gaming, otimiza operações e estrutura processos escaláveis, aplicando metodologias como Lean Six Sigma para maximizar a eficiência e a inovação tecnológica em ambientes altamente regulados. É membro do FAIR (Fórum de Apostas, Integridade e Regulação) da Sport Integrity Global Alliance (SIGA).

– FIM –

* As opiniões expressas neste artigo são responsabilidade exclusiva do autor e não refletem necessariamente a visão e opinião da SIGA ou dos seus membros.

O artigo foi publicado originalmente em Gamebras, no âmbito da participação da Open Gaming no Sport Integrity Action Month 2025.